Fim de semana eu terminei de ler “Mundo sem fim”, e sabe que foi uma experiência incrível. Foi um dos poucos livros que eu passei a última página e pensei que se tivessem mais mil, eu teria lido com muito prazer. Eu já postei aqui no blog sobre o livro... é só da uma clicadinha ali nos assuntos, “livros”, que se vai achar. Eu recomendo muito, muito mesmo.
A foto é de uma catedral em kingsbridge, St. Edmunds, que se não me engano é a que o livro cita. Droga, queria mais páginas.
Kep estava na parada como todos os dias, exatamente oito e trinta e sete. Um pouco suado, seu caderno verde no seu colo e uma frase que não lhe saia da cabeça. “ Macacos vendedores lucram setenta mil na venda de uma nota antiga, raríssima, dada por engano na compra de um bilhete de loteria.”
_ Macacos sortudos...
Um homem e seu cachorro sentaram ao seu lado. Habitualmente, nunca faltavam, as oito e trinta e oito.
_ Olá Kep.
_ Olá...
_ Em que está pensando hoje?
_ Macacos. E você?
_ Gansos. Sabia que tem um macaco, cujo nome me foge a memória, que começou criando dois gansos e hoje é dono de quase todo meio oeste?
_ Malditos macacos.
Kep abriu seu caderno verde e puxou uma caneta azul.
_ O que esta escrevendo ai Kep?
_ Malditos macacos! Não posso me esquecer disso. Lembra de ontem?
_ Sim, como esquecer aquelas girafas malabaristas da 15 com a 16.
_ Poxa vida! Girafas malabaristas! Acredita que esqueci? Deveria ter anotado. Incrivelmente me senti atraído pela idéia: girafasmais pirofagia.
_ Eu também... e o Guti também. Puta que pariu, que vontade de me masturbar Kep! Você pode cuidar do Guti por um instante?
_ Claro.
Guti estava no colo de Kep e o homem com a mão dentro da calça.
_ O ônibus demora?
_ Não sei Kep. Talves tenham substituído o cobrador por um macaco. O motorista pode ser um chimpanzé. O que acharia?
_ Uma maldita traição comunista!
_ Não viaje Kep, os comunistas já foram embora... só temos agora os malditos vendedores de seguros.
_ Nem me fale! Acredita que um deles tentou me vender?
_ Eles são ousados Kep, acredite...
_ “latido”.
_ Guti esta com fome, faço o que?
_ Espere só mais um pouco Kep. Hoje o dia esta perfeito para se masturbar.
Um menino jogou uma bola e Gluti foi atrás. Ninguém se mexeu, a não ser o resto do mundo, e os dois estavam ali. Os macacos de Kep. A punheta do homem. O ônibus que chegou. O ônibus partiu.
_ Não era esse?
_ Era Kep. Mas eu não estava afim. Além do mais, não terminei o que comecei.
_ É verdade, mas se não terminar logo pode perder o próximo.
_ Pronto! Me sinto um novo homem. Como vai a sua mãe?
_ Ótima! Aquele vício em remédios acabou. Agora ela só precisa das bulas.
Day mal conseguia abrir os olhos e percebeu um mundo diferente a sua volta. Podia ver um céu que nunca vira antes, paredes que pareciam envelhecidas por décadas, luzes machucavam os olhos. Sentia o frio do chão, escutava uma musica que vinha de algum lugar próximo. Tentou sentar, sentiu o corpo fraco, escorou-se em uma parede que estava a poucos centímetros dele.Sentado olhou novamente a sua volta, descobriu que estava em uma espécie de beco, Travessa do Bardo, era o que a placa dizia enquanto balançava suave. Tentou se lembrar de como fora parar ali, onde era aquele lugar, não lembrava. De repente um homem entrou no beco, a princípio não o tinha notado, mas ao passar pela frente de Day parou para olhar para baixo.
_ O que faz aqui Fantasma? – tinha uma voz rouca.
Então minha gente, comecei o romance que está na minha cabeça a mais de um ano. Tenho medo de estragar a narrativa, desperdiçar a idéia, mas de repente senti que seria bom me foca nele. Ta ai um trechinho da primeira página.